segunda-feira, outubro 17

FAÍSCAS NA REDE


#PAN2011

Brasil e Cuba? Faíscas na rede. E quem começou com essa rivalidade entre as históricas adversárias do vôlei? O técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, em seu primeiro ano no comando da seleção brasileira feminina, em 1994. “Vocês não podem ser amiguinhas delas”, disse às jogadoras. “E ele tinha toda razão!”, observa Ida, uma das melhores meios de rede do mundo, hoje trabalhando com projetos sociais ligados a esporte e música.

As duas seleções sempre foram amigas – a rivalidade do início dos anos 1990 era com as peruanas.

Em competições, as brasileiras ajudavam as cubanas, que tinham dificuldade para conseguir coisas básicas – usavam rolos de papel higiênico com bobis, para arrumar o cabelo. As brasileiras compravam joelheiras para dar a elas, trocavam por charutos, que era o que as rivais tinha, davam esmaltes, maquiagem... Mas, na quadra, não ganhavam dessas rivais. 

Até que chegou Bernardinho em 1994, como Ida conta. 

O Mundial daquele ano, por exemplo, com final disputada no Ibirapuera, em São Paulo, teve Cuba como campeã e Brasil como vice.

- Lembro que elas jogaram já com o cabelo todo arrumado, porque iam sair da quadra para comemorar...

Aquela seleção cubana realmente tinha grandes jogadoras, como as meios de rede Regla Torres e Magaly Carbajal, verdadeiros “muros”.

Foi quando Bernardinho decidiu proibir sua jogadoras de falar com as cubanas nos hotéis, pelo menos antes dos jogos, conta Ida.

- Ele disse: ‘Não quero que vocês sejam amiguinhas delas. Podem falar depois, mas antes não. Elas querem ganhar e vocês têm de se fazer respeitar’. E ele tinha toda razão.

No encontro seguinte, quando as cubanas chegaram animadas, as brasileiras “não deram bola”, lembra Ida.

- A Márcia Fu até fez um gesto com a mão, significando que não podia falar. Mas elas ficaram muito bravas!

A rivalidade, hoje, continua a ex-jogadora, não é tão forte.

- Aquilo foi rivalidade de uma geração. Porque a gente começou a incomodar Cuba, a fazer frente para elas. Elas ganharam o primeiro Grand Prix da Ásia, em 1993, mas em 1994 nós ganhamos, em Xangai. Aí, elas disseram: ‘Vocês ganharam aqui, mas vão tomar em casa'.

E foi o que aconteceu, na rápida decisão do Mundial de 1994, em São Paulo, quando as cubanas já tinham um pouco mais de condições econômicas (Regla Torres jogou com lentes de contato verdes). Ibirapuera lotado, Cuba fez 15-2, 15-10 e 15-5, mas ainda assim a seleção foi aplaudida de pé: nunca as brasileiras haviam subido no pódio de um Mundial de Vôlei.

A rixa foi tomando proporções, a ponto de, na Vila Olímpica, uma mudava de calçada se via uma rival vindo em sua direção. E culminou na semifinal da Olimpíada de Atlanta de1996, quando as cubanas venceram a o tumulto iniciado no fim da partida na quadra virou briga no corredor do vestiário.

- A gente sabia que não podia provocar, cutucar a onça com vara curta. Algumas eram mais tranquilas - eu não sou de brigar... -, outras são.. mais intensas! A Torres, a Carbajal... a Regla Bell era mais tranquila, a Myreia... Combinamos de ficar na nossa, bem passivas. Mas aí, com 2 sets a 0, as cubanas resolveram começar a provocar! E foram justamente na Fu e na Ana Paula...

Depois do Peru e de Cuba, as brasileiras do vôlei tiveram outros períodos de rivalidade, com a Rússia, por exemplo.

- As rixas sempre começam quando uma seleção começa a fazer frente para a outra. Hoje não sei se a seleção tem alguma rivalidade mais forte. Contra Cuba, por ser, mas com certeza é bem menos do que já foi...

Nenhum comentário:

Postar um comentário