terça-feira, outubro 18

NÃO SABIA QUE ERA TÃO QUERIDA

#PAN2011

Em sua primeira entrevista após o trauma cervical que a fez sair da maca da estreia da seleção brasileira feminina de vôlei nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, a ponteira Jaqueline não segurou a emoção. Ainda abalada, a atleta chorou ao lembrar da família e das mensagens de apoio que tem recebido dos fãs no Brasil.

- Não imaginava um carinho tão grande como o que estou recebendo diariamente. Fico muito feliz em saber que tenho tanto carinho e amor. Isso está me fortalecendo para que eu possa melhorar diariamente. Não é fácil passar por que eu estou passando. 

Este é apenas mais um dos dramas da carreira da atleta, que já se submeteu a duas cirurgias sérias no joelho esquerdo e ficou fora do Pan do Rio de Janeiro, em 2007, devido a um doping oriundo de um chá verde que tomou na Itália. Este ano, ela ainda sofreu um aborto de seu primeiro filho, fruto do casamento com Murilo, atleta da seleção de vôlei masculino. 

Apesar de tantos contratempos, Jaqueline tenta manter o otimismo:

- A palavra é força. Eu tenho muita força, aprendi isso desde a minha infância com a minha família, que passou por várias dificuldades na vida. Essa é uma vitória que eu vou ter e mostrarei que posso reverter essa situação. Desistir, jamais. Eu sou lutadora, como se diz: "Sou brasileira e não desisto nunca".

A atleta ainda negou que tenha qualquer tipo de trauma de Pans:

- Imagina... isso são coisas da vida. 

Jaqueline contou como foram os primeiros momentos após o choque com Fabi - ao tentar dar um peixinho para salvar uma bola, a líbero bateu com a cabeça na nuca da atacante, que caía após um bloqueio. Ela ficou inconsciente por alguns segundos devido ao impacto:

- Foi uma sensação que eu nunca tinha sentido. O meu corpo começou a ficar dormente e começou a me dar um nervoso quando eu vi a preocupação das pessoas. Não conseguia sentir meus braços e minhas pernas direito devido a um formigamento, mas depois a sensação foi voltando e isso me tranquilizou muito. 

O pensamento imediato, segundo ela, foi a mãe:

- Ela estava vendo pela TV e eu sabia que não devia estar sendo fácil. Quando eu estava na maca, pedi para ligarem para minha mãe, porque o desespero devia estar sendo muito grande.

A volta de Jaqueline para o Brasil ainda não está definida, mas de uma coisa a jogadora tem certeza: quer sair do México com uma medalha no peito:

- Tenho certeza que com uma medalha eu vou sair daqui. O Zé (Roberto Guimarães, técnico da seleção) está fazendo muito bem o trabalho com as meninas e vou estar de espírito e coração com elas em quadra.

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