domingo, outubro 16

O MELHOR QUE EU PUDER

#PAN2011


No momento em que embarcar para o México neste domingo (16), às 21h, Marcel Stürmer deixará para trás tudo o que aconteceu – o roubo de sua bagagem, pela manhã, com patins e roupa para a disputa do Pan de Guadalajara – para se concentrar no que terá disponível.

- Viajo, desembarco na segunda-feira (17) e começo a treinar na terça (18). Tenho uma semana para construir de novo minha confiança. Vou fazer o melhor que puder.

A patinação artística tem competições no domingo (23), com finais na segunda-feira (24).

Marcel deixa claro o tamanho do problema que terá de enfrentar explicando o que significam os patins para um atleta do esporte.

- Tênis novo você usa duas, três vezes e está macio. Patins, como os que eu uso, são muito duros. A ponta é tão dura que não se consegue apertar. Para dar uma ideia, se você der um soco em um patim, pode arrebentar a mão. São meses para “quebrar” os patins, como a gente diz.

Além disso, há a questão dos joanetes.

- Todo patinador tem joanetes. Patins novos “amassam” os joanetes, até que, como tempo, o uso, o suor do pé, tudo se ajeita lá dentro. Esses patins que foram roubados estou usando há um ano e meio.

Marcel também fala que a “plataforma” também é muito específica.

- São aqueles “ferros” na base. Cada patinador usa de um jeito, com mais maciez ou mais dureza. São detalhes que levam tempo para a gente se adaptar.

De toda forma, o patinador gaúcho segue para Guadalajara com patins novos, que são fabricados pela Rye Sports, do Rio Grande do Sul. De toda forma, disse que daria um par de novos a quem entregasse os usados.

Uma nova roupa, mais simples, para a coreografia do programa longo sob o tema “James Bond”, também será confeccionada em Porto Alegre.

- O COB [Comitê Olímpico Brasileiro] vai dar um jeito de fazer chegar em Gudalajara...

Apesar do problema, Marcel Stürmer – terceiro do mundo na patinação artística - tenta manter o foco no tricampeonato, pelo qual vai batalhar no Pan.

- Não quero mais pensar. Parei de olhar para trás. Decidi que assim que entrar no avião, deixando o país, vou contar com o que tiver. Tenho de fazer funcionar assim. Não vou ficar me prendendo.

Para descontrair, o patinador conta ainda que “faltavam só 80 páginas” para terminar o livro de suspense que estava lendo – por ironia, o “Desaparecido para Sempre”, de Harlan Corben. Pelo menos nesse caso, diz Stürmer, pode comprar outro igual...

A técnica Jaqueline Nonenmacher, que levaria seu atleta ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, neste domingo (16), foi jogada ao chão e ameaçada pelo assaltante com uma arma na cabeça para entregar o veículo, uma EcoSport, em frente ao prédio de Stürmer.

A bagagem já havia sido colocada no carro, mas o patinador estava no apartamento e não viu a ação. Mesmo com o roubo, decidiu embarcar para São Paulo, de onde segue para o México neste domingo (16) em voo das 21h.

O carro de Jaqueline foi encontrado, mas sem o material de Marcel Stümer, que passou por São Paulo para fazer a conexão carregando apenas documentos, celular e um par de patins “sem quebrar”.

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